quarta-feira, 28 de setembro de 2016

CHOVO E TEMPESTUO


Dizem que é primavera
por que será que eu chovo?
Ah, quem me dera
ver flores e sua aquarela.

Espinhos em evidência
rosas em carência
folhas secas bailando
aqui no meu castanho.

Ipê roxo não, preto!
Olho e não me convenço
não há primavera
em minha interna janela.

Eu fico aqui nublando...
Chovendo...
Tempestuando...
Geando...
Tudo, menos florando
eu deveria estar primaverando
mas estou invernando.

A dúvida em forma de galho
flores de cascalho
brotando, queimando...

Estação das cores
Ou das dores?



OBS: (Poema escrito na Primavera passada. Estava guardadinho... rsrs).

sábado, 13 de agosto de 2016

AMOR REAL







Reza o decreto no Diário Oficial
dia 13 de Agosto, feriado nacional
a Família Beltrão deverá parar
a data é muito importante 
precisamos comemorar!

É o aniversário da Rainha Elizabeth Beltrão!
Entre os motivos da celebração 
estão suas qualidades sinceras de coração:

Alegria de viver, dignidade, vaidade
às vezes faz o bom uso da dramaticidade
caso alguém não reconheça sua veracidade.

Exemplo para qualquer cristão
levou uma vida de fé e devoção
magnetizou a todos, sem exceção.

Cumpriu honrosamente a maternidade
ensinou aos filhos a se tornarem corajosos
para que pudessem combater os poderosos
tudo isso, sem deixar de lado a bondade.

É generosa, calorosa e extrema:
"me ame ou me odeie" esse é o seu lema
mais ou menos a incomoda
assim como a rejeição,
falta de reconhecimento e frieza
contrariam e muito a realeza.

Súditos, devemos cumprir essa ordem:
nossa Rainha precisa de um carinho enorme!
O motivo é simples e notório
filhos, netos, bisnetos e agregados
todos sempre foram muito bem guardados
no grandioso e caridoso coração
da nossa amada Rainha Elizabeth Beltrão.


OBS: Minha avó não teve a oportunidade de apreciar esses versos, pois quando eu escrevi esse poema, ela já estava em avançado estágio de uma doença impiedosa que foi implacável com a nossa matriarca: AlzHeimer! Esse mal destruiu com um único golpe a nossa família inteira. Fomos apagados literalmente da sua memória. A sensação de se tornar "desconhecido" por uma pessoa que sempre nos conheceu muito bem é horrível. Palavra que se adeque a essa situação não existe no dicionário. Hoje é dia de uma saudade incurável. Te amamos em essência, nossa Rainha Elizabeth Beltrão.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

AMAR(RAR) O LEITOR



Meu leitor, sabes quem sou?
Sou verso, metáfora, enigma
entrelinha que grita
texto simples com sentimento complexo
sou teu chão e teu teto!
Uma mulher que não brinca
nem com o que você lê em tinta.

Sou página, romance, imagem
desses  livros que guardas
sou a principal personagem
a que ama de maneira crônica
e com  poesia de verdade.

Não sei se te mereço
é um amor muito nobre
para uma poetisa pobre
pensando nisso sempre enlouqueço.

Quando chego e vejo que estás
envolto em livros e jornais
penso: Será agora
ou nunca mais?

Como mulher, prudente
como poetisa, entorpecente
te embriago em minha literatura
para fugir dessa apaixonante tortura.

Sinto desejos loucos, (in)decentes
não imaginas, por mais que tentes
entretanto uma coisa é fácil citar:
Nas estantes da “tua” vida
em presença física ou ausente
eu sempre estarei por lá
deixe estar...

Minha maior vontade como poetisa
é voar da página de um desses livros
numa leve e encantadora brisa
para você desejo me materializar
e como uma boa protagonista
te amar(rar) para nunca mais largar!

Tenho um recado doce, singelo:
amor de poetisa é estranho, é em excesso
é sentimento forte e em verso
forte mesmo, como café expresso
o leitor que desse amor prova
seja em rima ou em prosa
entra num judicial processo
e acaba como réu confesso.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

FOGO FRIO





Olhar tímido
papo cínico
promessa tentadora
desse tipo, corra!
Nada convencia
nem seduzia
frieza fingia
corria
contradizia
porque queria.
Você tentou
me tentou
adiantou?
Cansou
esfriou
retornou
esquentou
e enfim
o fogo pegou.
Teu corpo no meu
enlouqueceu
depois do apogeu
nada convenceu.

Nem seduziu
correu
frieza fingiu
e sumiu.
Eu tentei
te tentei
calor ofertei
me decepcionei
Adiantou?
esfriou
gelou
petrificou
o fogo apagou.

E você?
Que pena...
Não requentou!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O DANADINHO...




Não sei se foi ontem
hoje, de ontem para hoje
ou 30 de fevereiro
nem me atrevo...

Vou logo adiantando
que escrevo com a caneta alcoólica
e de tinta dourada da Itaipava.

Que a literatura me perdoe
dei férias ao meu eu-lírico
escrevo com o eu-lúpulo
bato no peito embriagado e assumo
o que sóbria não diria
nem por tortura ou feitiçaria.

Ainda não sei ao certo
como se deu esse processo
aceitei ao convite perigoso
desses teus olhos acesos, fogosos
que de medo eu quase corro.

O que era para ser um tchau
foi o ponto inicial
quase deixei cair o queixo
quando você me pediu um beijo.

Nada disse, apenas sorri
numa porta que não abria  
mas também não fechava
deixei-me ser atacada
mas também ataquei
por legítima (in)defesa.

Num sofá nem meu e nem teu
mas circunstancialmente nosso
adverti que nada além poderia acontecer
porque o território não era nosso.

Foi complicado impor limite ao desejo
e tive vontade de rir
quando você me disse:
“Me algeme! 
está muito difícil controlar minhas mãos
se for para ficar nessa situação
vá embora dormir!”

Isso não seria nada justo
eu queria te sentir, danadinho!
Então resolvi fazer meus carinhos
para que você não precisasse ser algemado
lhe fiz alguns deliciosos agrados
até te cansar e dormirmos no sofá.

Em teu colo acordei
e antes do bom dia, pensei:
estou correndo um sério risco
me envolver com esses olhos
é um verdadeiro perigo!

Engana-se quem pensa que acabou por aí
na verdade, começou mesmo foi por aqui...
depois do sofá: céu, Sol, poema, mar
e se ele voltar, pra Marte, bem danada eu o irei levar!



OBS: Sempre temos pelo menos um amigo que sabe como arrancar coisas da gente com muita facilidade, não é mesmo? Seja um sorriso, um abraço, uma confissão. Eu tenho um amigo que vai muito além disso: Ele me arranca facilmente poemas! Rsrs. É muito comum ele se apropriar de alguns. Acontece da seguinte maneira: Ele lê meus versos, gosta e diz: "Esse é meu!". E eu acabo cedendo aos seus caprichos, porque acho o máximo essa "possessividade poética georgiana" que ele nutre pelos meus versos. É uma honra ter um poema "roubado" por essa criatura. Aconteceu isso (também) com esse texto em questão. George Gouveia acabou de publicar em meu Facebook: "Esse é meu!". Quem sou eu para discordar disso? Dedico com todo a admiração que nutro por esse grande amigo, "o poema danadinho". Sim, Geo: É teu! Te amo! <3



terça-feira, 26 de julho de 2016

SÍLVIAS

Feliz dia dos avós para a avó mais apimentada que eu conheço:
 Dona Sílvia Reis! Amo minha velhinha!



O sonho da vida dela
era ter uma neta
então eu cheguei
e seu sonho realizei.

Ela ficou tão radiante
que à maternidade levou
brinco de ouro com brilhante
mas a médica não deixou:

“Sua neta é prematura
é frágil, muito miúda
os brincos poderão a orelha dela rasgar
só depois de alguns meses ela poderá usar!”.

Meu amor por ela é imenso
e cada dia fica mais intenso
é por isso que eu sempre digo
que ela é o meu amor mais antigo.

Tudo nela é alegria
e vai seguindo essa filosofia
com a máxima maestria.

São 79 anos de vaidade
e nunca perdeu a mocidade
nem com o avançar da idade.

As unhas estão sempre bem pintadas
vive cheirosa e arrumada
usa salto alto até dentro de casa
a minha velhinha é apimentada!

Quando um cabelo branco
teima em apontar
“Sylvinha, venha cá
pinte o meu cabelo já!”.

Eles são vermelhos vibrantes
isso já virou a sua marca
e da nossa matriarca
a chuteira ninguém ataca!

Não para quieta um segundo
na boca sempre tem um assunto
é uma excelente piadista
quando conta uma piada
mesmo quem já sabe do final
dá uma bela gargalhada.

Já está fraca a sua audição
mas se alguém fala em dinheiro
ela escuta tudo com perfeição.

Voinha é tão sem igual
que mesmo com o braço quebrado
subiu num carro enfeitado
para brincar o Carnaval
nós tentamos impedir o ato
mas ela nos disse botando fé:
“Eu quebrei foi o braço
não foi o pé!”

Do jardim que a todos encanta
é ela quem cuida de cada planta.
quando resolve ir pro fogão
engorda qualquer cristão.
Coisa boa é comida de vó...
eu só sei que ela é o meu xodó
e eu a amo que só.

O nome dela é Sílvia Reis
e a melhor coisa que mainha fez
foi me dar o mesmo nome de voinha
porque eu sou dela mesmo, todinha!

E aqui dentro de mim
poderá ler o freguês:
é de dona Sílvia Reis
a maior parte do coração
de Sylvia de Azevedo Beltrão.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

AMARULA

Poema escrito depois de apreciar uma
Amarula esquecida aqui em casa...


Essa bebida me derruba facilmente
mas antes do tropeço e do tombo
uma coisa é extremamente certa:
ela me deixa naquele ponto!

No ponto de censurar o superego
de tirar o equilíbrio do ego
e de dar muito prazer ao ID
seja ele o meu e/ou o teu.

E nesse nosso caso, te provo por A + B
que a ordem das “nossas” parcelas
altera e muito o “nosso” produto
todos os riscos alcoólicos assumo!

Bagunço mesmo todas as instâncias
da nossa psiquê humana
e te levo lá para o fervente centro da Terra
ou quem sabe lá para a brisa da estratosfera.

Ainda posso dessa "firme" terra te abduzir
e te levar pra bem longe daqui.
É sempre bom comigo não apostar
porque eu só aposto para ganhar.

A cada gole dado
dessa bebida insana
que tenta me derrubar numa cama
um pensamento me seduz:

“Amar ele com Amarula
poderá ser a minha cura
ou a prisão perpétua
para essa minha loucura 
(também por ele) poética”.

A Amarula derruba os elefantes africanos
você derruba a mim com os teus encantos  
fico imobilizada nessa dúvida cruel
me encontro entre o mel e o féu
sem saber interpretar de fato:
"Qual será (in)coerentemente, o teu (sur)real papel?"

terça-feira, 19 de julho de 2016

POEMA ERRANTE



Válida é toda a minha loucura poética
longínqua, interna e patética
amável, quântica ou atômica
doce, salgada ou (des)cafeinada 
e penso: Será que não vale mesmo de nada
minha busca frenética, incessante
irresistivelmente intrigante mas operante
rumo ao meu desejo por ti: apaixonante?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

APRESENTAÇÃO DO PRÓXIMO LIVRO DE SYLVIA BELTRÃO

     A obra revela o namoro nada convencional de Maciel e sua garota Hanna. Ele já é quase um cinquentão (em excelente forma), e ela, recém-chegada à casa dos trinta. A diferença de idade, é vista por eles como um tempero a mais na relação. A distância que os separa é considerada como a grande vilã desse amor, mas quando o encontro acontece, os dois se entregam numa paixão violenta, que faz valer à pena cada segundo passado longe um do outro. 
A saudade maltrata, o desejo aperta e um dos dois acaba cedendo. As agendas são assassinadas e oportunidades são criadas. A cama será quase sempre vista como um instrumento utilizado para o sono e o lugar menos procurado por este casal, que busca o prazer tendo a natureza como principal cenário. Praias desertas, falésias, rios, reserva ecológica e até mesmo um canavial, são testemunhas vivas e mudas, que presenciam com frequência a intensidade desse namoro. Ela chama, ele vem. Ele pede, ela faz! Ele procura passeios, que para um casal normal, serviria apenas para contemplar a natureza e/ou como um cenário perfeito para registrar as belas paisagens com fotografias. Já ela, sempre com muita naturalidade, aproveita esses lugares de beleza extraordinária, o convida com um olhar, e com "singelos" toques, desperta nele os desejos mais absurdos. Hanna brinca de uma maneira adulta e quando ele começa a demonstrar não querer largar a brincadeira, ela para! Ele suplica que ela continue, ela afirma não estar com um pingo de pressa.

     Só que Hanna não consegue o domínio da situação o tempo inteiro, porque sente muito desejo por ele e Maciel tem uma experiência incrível. Momentos de entrega são revelados por todo o tempo, mas de uma maneira agradável aos olhos. Um homem com qualidades raras (quase improváveis), uma mulher que se doa para satisfazer todas as fantasias do homem amado. Proporcioná-lo prazer é o maior prazer dela, sem sombra de dúvidas. 
     Meu principal objetivo foi escrever um livro que descrevesse encontros íntimos, com uma interpretação apaixonante e despertasse a curiosidade, mas sem vulgaridades. É uma combinação bem difícil, mas a proposta é esta. A minha real intenção é causar espanto no leitor e provocá-lo indagações do tipo: "Será que este casal existe? Será que isto realmente aconteceu? Adianto que não revelarei isso. Não sou cruel, posso garantir, mas escrevi exatamente o tipo de texto que gosto de ler. Não gosto do óbvio e adoro uma pitada de mistério e audácia.
(...)



O RESTINHO DA APRESENTAÇÃO, EU DEIXO VOCÊS LEREM NO LIVRO... rsrsrsrsrsr. Um beijão da escritora e amiga Sylvia Beltrão

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ILHA...



...da!
No Triângulo das Bermudas
por opção!

Quero um livro à prova d'água
e um Navio Fantasma
para levar embora os meus.

Um Navio de Guerra
que vença minha inseguranças
preciso descansar a vida
hibernar...

Que este sonífero estado
não me tire o prazer
das letras azuis
entrelinhas invisíveis
mas perceptíveis aos nossos olhos...
...nus!

Código Morse para um Navio Cargueiro
carregado de você em excesso
completamente iguais
e todos em minha ilha.

Por favor me despertem!
Preciso sair do sono profundo
com você(s) é melhor sonhar acordada
nessa ilha afrodisíaca.
Será ela a "Ilha dos Amores"
tão citada em "Os Lusíadas"?

Sem internet
transmissões de pensamentos
via artéria aorta.
Desejos para serem cumpridos!

Para atingir a perfeição
dispenso os Navios Piratas
eles, assim como eu
gostam de tesouros em abundância
e dessa maneira
ficaria sem você(s)...

Voltar para a civilização?
Não! 
Me deixem na minha ilha
hibernar acordada...
...estou bem acompanhada!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

POETISA CIGANA



És um personagem do sonho acordado
mas nunca realizado
um amor forte como alcatrão
balanceado com mel e limão.

Nos seus olhos eu bem que vi
o poema que escreveu pra mim
nitidamente tuas verdades eu li
você sempre me amou, e fim!

Lá no meio do ocular poema
as entrelinhas das íris gritaram
que o tempo não é passado
ama num presente (di)lema.

E não duvide...
Sempre amará
porque deste homem 
é esse o lema!

Sabe-se que palavras ditas
o vento sempre leva
pela primeira janela
as escritas o tempo
por mais tempo conserva.

Mas quando os olhos falam
a eternidade as enjaulam
numa prisão perpétua
e sem trégua!

Como poetisa te digo
que não procure meu eu-lírico
ele está cansado
anda desesperado
e é muito devasso!

Se o encontrares
ele vai me denunciar
dizendo que nasci pra te amar.

Tenha calma
deixe estar
se tiver de ser tua
saberei como chegar:

De maneira surpreendente
e muito envolvente 
te passo uma rasteira
e de mim você não sai
mesmo que queira!

Sou poetisa que clama
mas também sou cigana
sempre diz isso quem me ama.
Se te levo à minha tenda...
Coitado, tenho até pena!

Te jogo um íntimo feitiço
deixo logo sob aviso
que você vai bater no peito
e me dizer convicto:
"Mulher, virei cigano
e é contigo que eu fico!"